About Me

Virologista que investigou HIV e ebola diz que coronavírus é ‘imprevisível’


O virologista Amílcar Tanuri, professor titular da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), pioneiro no estudo do zika e um dos responsáveis por auxiliar no combate à epidemia de HIV e do ebola, classificou o novo coronavírus como “imprevisível”.

“Ele é chocante porque é muito rápido, se propaga de forma muito eficiente. Não sabemos o tamanho da disseminação em pessoas sem sintomas”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Tanuri disse que ainda não é possível saber a dimensão da propagação do vírus, embora esteja muito difundido. Para ele, as quatro próximas semanas são “determinantes” no Brasil e há três cenários possíveis.

“O primeiro e mais provável pode ser o cenário semelhante ao que vimos na China. Ele surge, causa uma explosão de casos e depois a epidemia vai se apagando. Nada impede que ressurja na frente, mas em surtos isolados. O segundo cenário é que vire uma infecção sazonal. Neste momento, acho menos provável.”

“E tem o pior cenário. Que o país seja afetado por uma pandemia de proporções catastróficas. Não acho provável pelo que observamos na China até este momento. Esse vírus é imprevisível, mais rápido do que se imaginava, mas não vai acabar com o mundo. Poderá matar muita gente, mas não vai nos erradicar”, acrescentou.

Assim como as autoridades têm dito, o virologista pede para que quem apresente sintomas fique em casa. “Uma pessoa com sintomas vai expelir vírus por até 20 dias. Se ela ficar três quartos desse tempo isolada em casa, sem contato com outras pessoas da família, a gente consegue diminuir em três quartos o tempo de dispersão do vírus na rua”, explica.

Questionado sobre o que acha das medidas de prevenção no Brasil, Tanuri disse que são boas, mas ressaltou as condições socioeconômicas do país. “Por exemplo, as pessoas mais pobres, que dividem cômodos, como farão isolamento domiciliar? Sou um otimista nato, mas quero ver como os planos se desenrolarão na prática.”

Do UOL

0 Comentários