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Saúde Pública no RN entrará em colapso em maio, diz Sesap

Volpe detalhou estudo com perspectiva de aumento de óbitos
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap/RN) projeta 11,3 mil mortes causadas pelo coronavírus no Rio Grande do Norte até o dia 15 de maio. A estimativa, apresentada nesta terça-feira, 7, mostra uma evolução do número de óbitos de 370 no fim de abril para 11,3 mil na fase mais aguda de disseminação da doença no Estado. A principal razão para o crescimento repentino é o colapso da rede de Saúde Pública entre os dias 2 e 6 de maio no cenário atual, quando existiriam entre 157 mil e 370 mil infectados. A partir desses dias, a projeção é que a rede de saúde pública e particular não terá leitos disponíveis para todas as pessoas infectadas.

O número de mortes chamou a atenção durante a apresentação feita por membros do Governo do Estado, incluindo titular da Sesap/RN, Cipriano Maia, nesta terça-feira, porque apresenta um salto de seis mil novas mortes entre o dia 11 e 15 de maio, uma média de 1,5 mil óbitos por dia. Esse número é semelhante ao registrado em 24h nos piores casos do mundo, como em Nova York, nos Estados Unidos. O médico especialista em Gestão Hospitalar, Ricardo Volpe, que apresentou a projeção, justificou que “países adotaram medidas mais duras quando a doença começou a se agravar e, por isso, conseguiram diminuir o número de mortes por dia.” 


Estudo
Os cálculos foram realizados com base nos modelos “Mosaic”, desenvolvido pelo pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Dias do Nascimento, e do modelo da Imperial College London. Quatro variáveis são consideradas: número de novos casos por infectado; tempo para o vírus infectar o organismo humano; percentual de moradores seguindo medidas de isolamento; e taxa de 10% entre os infectados que precisam de internação.

A projeção da Sesap considera medidas de mitigação seguidas por 42% da população até o fim de maio e é tratado como “otimista”. Esse é o percentual seguido pela população do Rio Grande do Norte na última semana, segundo uma pesquisa desenvolvida pelo Google. Como se tratam de projeções, os números serão atualizados a cada semana pela Sesap, considerando variáveis citadas.   

Nesse cenário, aproximadamente dois milhões de pessoas serão infectadas até o dia 15 de maio no Rio Grande do Norte. Isso significa que a disseminação do vírus chegou ao pico e, a partir daí, número de casos diários começa a baixar porque 60% dos potiguares estariam imunizados. “Quem já se infectou não vai se infectar de novo, e aí essa progressão de novos casos vai diminuindo”, explicou Ricardo Volpe. O “pior cenário” na mitigação é um percentual de 25% das pessoas em isolamento social. Nesse caso, o Rio Grande do Norte pode chegar a 14 mil mortes no dia 6 de maio e, dessa data em diante, se estabilizar com mais de 2,6 milhão de infectados. O colapso da rede de atendimento na Saúde Pública também seria antecipado para o dia 27 de abril.


Divulgação dos dados
A decisão de apresentar os dados foi tomada após discussão no âmbito interno da Sesap/RN. Parte dos gestores eram favoráveis à divulgação. Outra parte, não. Entretanto, diante do aumento de fluxo de pessoas nas ruas observado desde o fim da última semana, a decisão foi divulgá-los para alertar a população sobre os riscos de não cumprir as medidas de isolamento social.

O especialista em Gestão Hospitalar, Ricardo Volpe, estima que a situação do coronavírus no território potiguar se agravará quando o vírus se disseminar nas áreas mais pobres, que sofrem com a falta de saneamento básico e tem moradias com aglomerado de pessoas. “A maioria dos casos, hoje, ainda está concentrado na classe média porque foram importados e depois disseminados por perto, mas essa classe tem acesso ao saneamento básico e, geralmente, moram menos pessoas em uma só casa”, declarou o médico.


Casos no RN
O Rio Grande do Norte possuía 254 infectados e oito mortes confirmadas por coronavírus até a
tarde desta terça-feira, 7. Estima-se 2,1 mil infectados e 12 óbitos na próxima sexta-feira, 10. Volpe
destaca que o número estimado não se reflete nos boletins oficiais pela existência da
subnotificação. “A subnotificação é um problema de todo Brasil e precisamos levar isso em
consideração para ter uma estimativa mais real”, disse o secretário estadual de Saúde, Cipriano
Maia.

Cenários possíveis
Os cálculos mais próximos da realidade do Rio Grande do Norte estão dentro de um dos três cenários possíveis da doença: a de mitigação. Esse estágio significa uma aceitação do coronavírus, mas um esforço para diminuir a propagação e tentar adiar ao máximo o colapso do sistema público de saúde. Os outros cenários são chamados de “inação”, quando a estratégia é deixar o vírus se disseminar para  haver imunidade coletiva de forma mais rápida, e “supressão”, quando a ideia é radicalizar as medidas de isolamento social, como fez a China. 
O secretário de Saúde, Cipriano Maia, afirmou que o Estado não tem condições de endurecer as medidas de isolamento social e entrar na fase de “supressão” por falta de estrutura. “Nós só teríamos condições de entrar em uma fase de quarentena total se o governo federal adotasse todo aparato de segurança, com Forças Armadas, mas nós vemos que o governo tem uma outra visão”, completou.

“Duas semanas cruciais”, destaca Ricardo Volpe
As próximas duas semanas serão cruciais no Rio Grande do Norte para o colapso da rede de saúde ser adiado e o número de mortes diminuir, acredita o médico Ricardo Volpe. “O comportamento da população nesse período vai determinar o número de novos casos e a quantidade de internados, que chegam a ficar, em média, de 16 a 21 dias internado. Esse tempo é o que faz as redes de saúde do mundo todo entrarem em colapso porque não existem respiradores suficientes”, declarou.

A Sesap/RN voltou a reforçar a importância do isolamento social para diminuir o contágio do coronavírus nos próximos dias. O fluxo de pessoas voltou a crescer esta semana em Natal, apesar da paralisação de escolas, shoppings e parte das empresas. O secretário Cipriano Maia também externou nesta terça-feira, 7, a preocupação com as menores cidades. “Eu peço para todos os prefeitos que reforcem medidas de isolamento nas cidades porque já temos óbitos confirmados nesses lugares”, afirmou.



Estimativas nos cenários de inação, mitigação e supressão

Inação
Não fazer nada e deixar que o vírus ataque toda a população gerando imunidade coletiva.
  • 5 de abril: 5,1 mil infectados e 43 óbitos;
  • 10 de abril: 17,4 mil infectados e 145 óbitos.
  • 2 de maio: 3,5 milhões infectados (toda população) e 29 mil mortos. Toda população alcançaria a imunização.
  • 15 de maio: 3,5 milhões infectados e 29 mil mortos.


Mitigação (cenário de hoje)
Aceitar a transmissão do vírus, mas diminuir a propagação para evitar o contágio mais
rápido e o colapso da rede de saúde. Existem dois cenários para o RN:

Otimista (42% cumpre medida de isolamento social)
  • 5 de abril: 924 infectados e 5 óbitos;
  • 10 de abril: 2,1 mil infectados e 12 óbitos;
  • 2 de maio: 157 mil infectados 874 óbitos;
  • 15 de maio: 2 milhões infectados e 11,3 mil mortos.
Pessimista (25% cumpre medida de isolamento social)
  • 5 de abril: 2 mil infectados e 11 óbitos;
  • 10 de abril: 5,6 mil infectados e 31 óbitos;
  • 2 de maio: 928 mil infectados e 5,1 mil óbitos;
  • 15 de maio: 2,6 milhões infectados e 14,6 mil mortos.

Supressão
Romper as cadeias de transmissão tratando deter a epidemia e reduzir os casos ao menor
número possível com quarentena total

  • 5 de abril: 53 infectados e 0 óbito;
  • 10 de abril: 92 infectados e 1 óbito;
  • 2 de maio: 1,3 mil infectados e 11 óbitos;
  • 15 de maio: 6,5 mil infectados e 55 mortos.
DA TRIBUNA DO NORTE

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